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Review: Chromecast – Um cérebro realmente inteligente para sua TV por R$ 199,00

Por: Matheus Ferreira

Depois de muita espera, e cerca de 10 meses após seu lançamento nos EUA, o Chromecast finalmente chegou ao mercado brasileiro. Com um valor bem acima do praticado lá fora, o dispositivo dividiu opiniões.

Eu que já estava quase sem dormir na ansiedade para comprar um, corri garantir o meu. E agora venho aqui compartilhar com vocês todas as minhas impressões desse aparelho.

O que é o Chromecast?

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O Chromecast é um dispositivo criado pelo Google para tentar reformular o conceito de Smart TVs. As Smart TVs são pouco intuitivas e, na maioria das vezes, derrapam na questão usabilidade dos seus apps.

Como a navegação do Chromecast é toda baseada em apps para smartphones ou pelo navegador, o dispositivo facilita a vida do usuário ao proporcionar que ele mexa em algo já conhecido e bem melhor desenvolvido que uma integração com qualquer Smart TV.

Como ele funciona?

O Chromecast é vendido no Brasil com o nome de Streaming HDMI, mas ele não é bem isso. O aparelho pode até replicar a tela do computador ou do navegador, mas sua função principal é ser um reprodutor de conteúdo online.

Seu smartphone, tablet ou computador só irá enviar um comando ao aparelho, que se encarrega de acessar e exibir o conteúdo, sem necessidade de processamento dos aparelhos que o enviaram o comando.

Isso significa que você pode colocar um filme do Netflix, para passar e seu smartphone não vai carregá-lo, quem faz isso é o Chromecast. Seu dispositivo é a porta de acesso ao conteúdo. Depois disso ele se torna apenas um controle. Portanto não se preocupe: sua amada bateria estará a salvo com o Chromecast.

Design

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Uma das coisas que mais chamam a atenção no Chromecast é o design do aparelho. É óbvio que temos aí o resultado de uma escola que a Apple teve a ousadia de criar. É tudo muito bonito e funcional.

A caixa do aparelho é basicamente um quadrado de 12cm com menos de 4cm de profundidade. Pra se ter ideia do que eu estou falando ela ocupa o espaço de mais ou menos 3 capas de CDs empilhadas. DSC_0010 Olhando pra ela eu apostaria que viesse no máximo o chromecast e um manual de instruções, mas não. Estão bem acomodados ali dentro:

  • Chromecast, obviamente.
  • Extensor HDMI que não extende porcaria nenhuma, porque não tem mais que 10cm de comprimento.
  • Fonte de Alimentação bivolt.
  • Cabo USB, que deve ser utilizado para ligar o dispositivo na própria TV ou na fonte inclusa.

DSC_0018 O aparelho em si é bem menor do que eu poderia esperar mesmo após ter visto dezenas de reviews. Pra se ter uma ideia eu resolvi compará-lo a uma caixa de fósforo pelo simples fato metafórico que o próprio objeto expressa e com pen drives: os itens conhecidos por todos que chegam mais próximos do que é um Chromecast em termos de design industrial. DSC_0032 DSC_0035 Outras imagens:

Sistema e Usabilidade

Tudo muito lindo, maaaass… vamos ao que interessa? Como é que esse aparelhinho aí funciona? Em todos os reviews que li, uma coisa foi unânime: ele é um aparelho extremamente fácil de se usar.

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Eu até concordo, mas acho que poderia ser ainda mais. Afinal, na traseira da embalagem o aparelho mostra um telefone transmitindo a Galinha Pintadinha para uma TV, logo, o público obviamente vai de nós geeks em busca de uma nova tecnologia até uma mãe que só quer praticidade pra transmitir a Galinha Pintadinha do seu Moto G para o filho ser hipinotizado na TV da sala. E ele pode sim ser utilizado por ambos os públicos, mas com pequenas ressalvas que farei aqui.

Tirou o aparelho, ligou no cabo USB, e conectou na TV, o que acontece? Você dá de cara com essa tela aí: e ela é tão simples e direta quanto a premissa do aparelho: acesse o endereço da web de qualquer um dos aparelhos compatíveis com o Chromecast para iniciar a configuração. DSC_0042 Eu escolhi utilizar o telefone, afinal, quando se trata de praticidade, ele é o campeão da categoria. Um computador é arcaico demais e pode ser que nem todo mundo que leia esse review tenha um tablet.

Acessando o endereço indicado pelo próprio Chromecast você deve encontrar uma tela de boas vindas com um botão enorme. Tão enorme que o primeiro intuito é clicar nele antes de ler qualquer coisa.

DSC_0045 Clicando no botão eu fui redirecionado à Play Store. Não tenho dipositivos iOS para testar, mas acredito que a identificação seja pelo user agent do telefone ou sistema operacional e se encarregue de disponibilizar um botão tão bonito quanto esse para a Apple App Store. DSC_0046

Baixei o app, instalei, abri e segui os passos bem, mas bem simples do app:

Tudo configurado, agora como usa? O app dá uma dica e oferece a opção do “Saiba Mais”.

DSC_0057 “Procure o ícone do Chromecast nos seus aplicativos favoritos” é um pouco vago, não?! E se tratando da oferta de aplicativos que efetivamente tiram o melhor do aparelho é MUITO vago, mas vamos lá, a essa altura, por ter comprado o aparelho você já sabe exatamente pra que quer utilizá-lo.

Os tais apps favoritos…

A lista oficial de apps compatíveis hoje é a seguinte: YouTube, Play Music, Play Filmes, Google+, RedBull TV (Que ¨%$#@! é essa?), Plex, Real Player Cloud (não se anime, é só para o app, nada do cliente desktop), BeyondPod, MLB.TV Premium, Rdio e Crunchyroll.

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Sim, aposto que você não deve conhecer mais do que 3 apps da lista acima, mas a sorte é que a comunidade de desenvolvedores está adotando o dispositivo e temos boas opções de terceiros, como: Netflix, Crackle, e Vevo, que devem dar uma animada quando o assunto for filmes e videoclipes.

Em uso

Acho que o primeiro teste de qualquer um é abrir o Youtube, clicar em um vídeo qualquer que aparecer na lista de destaques e mandar a imagem pra TV. Quem fizer isso vai sair bem satisfeito. O Chromecast parece que foi feito pra ele. DSC_0060 DSC_0061 Com o Netflix o cenário não é diferente: DSC_0063 DSC_0065 DSC_0067

É possível reproduzir conteúdo local?

Eu juro que gostaria de ser mais objetivo na resposta desta pergunta, mas a resposta é: sim e não. De fato você pode conseguir visualizar conteúdo local no Chromecast. Mas terá um pouco de trabalho.

Android: Pra reproduzir músicas é só ter o Google Play Music instalado no seu dispositivo. Se a intenção for transmitir vídeos e fotos, eu não consegui encontrar uma forma mais simples de conseguir este feito do que utilizando o aplicativo gratuito desenvolvido pelo sensacional time do CyanogenMod chamado All Cast.

Desktop: Quando o assunto é música, fica simples transmitir o áudio para a TV. Basta ativar a transmissão de tela inteira da extensão para o Chrome e colocar uma música para reproduzir como você faria normalmente; mas no caso dos vídeos, a extensão até se esforça pra proporcionar uma boa experiência com atraso do áudio e tudo mais, mas o framerate é tão baixo que você vai sentir nitidamente a falta de movimento das imagens.

O espelhamento, entretanto, é bastante útil para apresentações, demonstrações e visualização de fotos:

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Uns probleminhas dá mesmo…

Quando estamos diante de um dispositivo que praticamente precisa da internet pra funcionar, é óbvio que se espera momentos de instabilidade, o problema é que o aparelho quer ser tão simples que peca nesse quesito: não foi uma vez, mas várias em que eu me senti extremamente perdido por falta de informações.

Com o player do Youtube, em diversos momentos a qualidade do vídeo ficou bem abaixo do que esperava e eu não sei até agora onde estava o problema. Minha rede estava lenta demais? É algum tipo de bug do sistema? Não dá pra saber. É rezar pra imagem melhorar.

Em outras ocasiões, ao colocar uma playlist pra tocar no Youtube, quando começava  uma nova música o aparelho aparentemente perdia a conexão do áudio com o computador e o som passava a sair nas (péssimas) caixas de som do notebook.

Apps de terceiros

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Se problemas foram frequentes com o Youtube, que é um App do Google, com apps de terceiros os bugs podem ser um pouco piores. O Rdio, por exemplo tem sérios problemas pra se conectar ao aparelho. E quando faz isso é frequente a perda de comunicação e os controles da tela bloqueada não fazem o menor efeito no dispositivo.

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O app do Vevo, então, foi um tormento. Não consegui ouvir praticamente nenhuma música sem engasgos. Se o Youtube roda em HD qual o problema do Vevo? O desenvolvimento da integração com o dispositivo? Mais uma vez a minha conexão? O Chromecast está com dificuldades pra conseguir sinal?

Os problemas vão acontecer e provavelmente você vai se irritar. Mas não por causa dos problemas em si, mas pela sensação de não saber por onde tentar resolver. Eu usei o extensor pra melhorar o sinal, coloquei o roteador do lado do Chromecast e aparentemente nada mudou. Um usuário comum vai fazer isso? Nunca.

Preço

Com o preço sugerido (e praticado rigorosamente) de R$ 199,00, a viabilidade do Chromecast é bastante discutível. Obviamente ele não é um produto para se ter um na sala, outro no quarto, outro na cozinha, como os americanos podem fazer com o valor de US$ 35,00; mas definitivamente é algo que realmente compensa pelos benefícios práticos.

Eu por exemplo, já comprei a minha TV com o Chromecast em vista, mesmo um mês antes do dispositivo chegar efetivamente no Brasil. Embora a oferta de Smart TVs que dão até piruetas fosse tentadora; minha tv não tem sequer conexão Wi-Fi. O que proporcionou uma economia de, no mínimo, uns R$ 300,00. Se você está afim de uma TV nova, inserindo o Chromecast no orçamento como eu fiz, dá até pra economizar.

Pontos Fracos

  • Baixo framerate para reprodução da tela do computador
  • Dificuldade em transmitir conteúdo offline
  • Bugs ultrapassam o limite do que eu julgo aceitável
  • Baixa adesão dos desenvolvedores até o momento

Pontos Fortes

  • Cumpre seu papel de deixar a TV mais inteligente
  • Preço
  • Praticidade e facilidade tanto na configuração como no uso
  • Produto em constante melhoria

Mas e aí, vale a pena ou não?

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Sem dúvida alguma o Chromecast vale a pena. A única coisa que se precisa ter em mente ao comprar o dispositivo é não confundí-lo com um HDMI sem-fio. É fato que há inúmeras formas de conseguir reproduzir conteúdo local, mas esse não é o intuito do aparelho. Ele é um reprodutor de conteúdo online. Principalmente vídeos e por um motivo óbvio: ele está conectado em uma TV.

Você poderá ver vídeos no YouTube, Vivo, Netflix, Crackle ou Play Filmes; ouvir músicas no Google Play Music ou Rdio; Ver fotos no Google+ (alguém tem fotos lá?). E isso ele faz muito bem. O resto é lucro.

Com amor, GKPB. <3

Publicado por

Matheus Ferreira

Matheus Ferreira, 25. Publicitário, fundador do @gPublicitario, ♓, amante de arte, música e tecnologia. Snap: ferreiramaath

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