Publique-se!

Saraiva inaugura serviço de publicação de livros para nós, pobres mortais que também temos algo a dizer

Por: Matheus Ferreira

A Livraria Saraiva é uma daquelas empresas que eu nunca vou conseguir entender. Eles nunca fazem nada direito. Foram uma das primeiras empresas brasileiras a vender E-books e a incentivar a venda de E-readers, mas vendiam uma miséria de títulos e a opção pra E-books que a empresa oferecia era o Alpha, da Positivo. Sim, Positivo. Só depois que a Cultura apareceu com o Kobo e a Amazon chegou arrebentando com os Kindles e o comércio de E-books de forma decente é que eles resolveram se mexer. E o resultado disso? Entre outras coisas o serviço que eu acabo de conhecer: Publique-se!

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O Publique-se é uma iniciativa do grupo Saraiva para disseminar a produção de conteúdos independentes. O próprio autor pulica sua obra em formato digital, que passa a ser vendida nos sites da Saraiva e da Siciliano.

Isso é novo?

Não. Esse não é um serviço pioneiro, a Amazon, a iBookstore e a Livraria Cultura já possuem serviços semelhantes funcionando no Brasil, mas parece que o foco dessas empresas no público individual é bem fraco.

A parte boa

A parte boa é que projetos como esse ajudam a acabar com o monopólio das grandes editoras e a sacanagem que é conseguir encontrar alguém que tenha interesse em ler sua obra e publicá-la. O escritor pode disponibilizar o trabalho e contar com a qualidade do mesmo para conseguir visibilidade, não com a boa vontade de um bando de gente antiquada parada na época do Gutenberg.

A parte ruim

Hm… vejamos. A empresa te paga apenas 35% pelo livro vendido. Esse valor é extremamente baixo partindo do ponto de que se você irá ter todo o trabalho de construir o arquivo do seu livro, 65% para funcionar como vitrine das suas obras é um valor extremamente alto. Se pegarmos como base o mercado de aplicativos móveis, tão em alta hoje em dia, eles dão 70% para o desenvolvedor e ficam apenas com os 30% restante para funcionar de vitrine para os apps.

Para se ter como base, o serviço Writing Life da Kobo Books por exemplo tem um sistema de pagamento um pouco diferente e até mais rentável: para livros entre US$ 1,99 e 12,99 o valor recebido é de 70% do valor da obra e 45% para outros valores. Já a Amazon paga 70% por livros com valor maior que US$ 2,99 e os mesmos 35% que a Saraiva para livros de valores inferiores a US$ 2,99.

A questão é: esse valor é compatível com o que um escritor teria de lucro por obra vendida? Não sei, até mesmo porque eu nunca escrevi um livro, mas dane-se. É um valor muito baixo.

Tem mais alguma coisa ruim?

Sim, tem. Os valores de venda recomendados pela empresa nem parecem ser da mesma empresa que envia Email Marketings com preços astronômicos. As sugestões vão de R$ 2,99 para publicações de até 100 páginas e no máximo R$ 8,99 para publicações com mais de 400 páginas. E a empresa ainda faz questão de ressaltar que ela pode fazer o que quiser com o preço do seu E-book influenciando no valor do seu rendimento com o mesmo. Ou seja: boa sorte!

Vale a pena?

Sim, vale. Na verdade a questão é: dependendo da sua intenção vale. É óbvio que o serviço não é voltado pra escritores experientes, mas sim pra pessoas que acham que podem contribuir com a cultura e não têm oportunidade de encontrar um espaço no mercado editorial. A grande questão aqui é qual será a visibilidade que a Saraiva dará ao escritor. Se houver um destaque legal, é mais um investimento em imagem e no seu nome do que realmente um negócio rentável. Porque… 35% por obra vendida, acho que é mais fácil colocar o livro inteiro na internet com banners do Adsense na página de download.

A iniciativa é boa. E, mais do que isso, o investimento nesse projeto por parte da Saraiva é o principal ponto. Porque embora outras empresas ofereçam o mesmo serviço, é tudo muito desconhecido pelo consumidor. Se você esperava uma oportunidade pra lançar um livro no futuro, esse futuro pode ter chegado.

Com informações de Revista Info e The Bookseller

Com amor, GKPB. <3

Publicado por

Matheus Ferreira

Matheus Ferreira, 25. Publicitário, fundador do @gPublicitario, ♓, amante de arte, música e tecnologia. Snap: ferreiramaath

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