Novas edições em comemoração aos 20 anos de A Pedra Filosofal

Por: Matheus Barbosa

Pode nem parecer, mas já se passaram 20 anos que J.K. Rownling deu o ponta-pé inicial na saga Harry Potter, com o lançamento de A Pedra Filosofal.

– Você é um bruxo Harry.
– Eu, eu sou o que?

E para comemorar essa data mega especial, a editora britânica Bloomsbury anunciou o lançamento de quatro novas edições do livro, com capas temáticas das casas de Hogwarts:

Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa: as novas edições vão agradar à todos os fãs do bruxinho. As capas foram projetadas por Levi Pindolf, vencedora da medalha Kate Greenaway (um prêmio britânico para ilustrações em livros infantis) e serão lançadas em duas versões diferentes: brochura e capa dura:

Versões em brochura.
Versões em capa dura.

De acordo com a ilustradora, as capas contam uma história diferente, mergulhando profundamente em cada casa. É possível saber mais sobre a criação de cada capa no site do Pottermore.

Essas novas edições incríveis serão lançadas lá fora no início de junho e ainda não há previsão de lançamento no Brasil. No entanto, você já pode mostrar para todos os seus amigos e pedir pelo menos uma delas de presente!

Malfeito feito.

Com amor, GKPB. <3

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Bold retrata lifestyle brasileiro em revista e conteúdo digital

Por: Matheus Ferreira

Em um evento que aconteceu no último sábado em São Paulo, tivemos a oportunidade de conhecer a Bold, uma revista que se desdobra para o online com o intuito difundir conteúdo colaborativo do lifestyle brasileiro sob o viés da cultura, arte, design e beleza.

A Bold tem seções dedicadas à moda masculina e feminina e apresenta editoriais de nomes como Ge Prado e streetstyle com fotos de Victor Collor e texto de Dóris Bicudo. Além de entrevistas e perfis de nomes como Paulo Vicelli, diretor da Pinacoteca de São Paulo e Gabi Constantino.

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Bold

Após ler a primeira edição, eu posso dizer que fiquei muito surpreso com a qualidade do conteúdo e da própria revista em si. Dá pra sentir a preocupação estética da gramatura do papel às poucas peças de publicidade que ilustram a publicação.

“A ideia é servir de vitrine para a vida e obra de personagens e mostrar nomes já conhecidos de uma forma inesperada e não explorada”, afirma Lourenço Di Lorenzo, diretor criativo da Bold. “Buscamos mostrar toda a pluralidade e diversidade de diferentes expressões culturais e artísticas”, completa.

A primeira edição da revista Bold foi feita com o apoio da Bed Head e não será comercializada. Poderá ser encontrada em espaços selecionados. Seu conteúdo, e muito mais, poderão ser encontrados na versão online da plataforma.

Com amor, GKPB. <3

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O despertador da desigualdade da MTV alerta que as mulheres devem sair mais cedo do trabalho

Por: Colaboradores

A MTV se uniu com a agência Party New York para protestar de forma bem criativa a carga horária das mulheres no mercado de trabalho nos EUA. As mulheres ganham 79% do que os homens ganham no país, sendo assim, nada mais justo que elas trabalharem só 79% , quem vai mediar isso é o relógio “Clock Work 79%” que alerta o horário de fim do expediente, para elas 😉

A desigualdade em relação ao salário das mulheres comparado ao dos homens já é antiga, vem sendo pauta de diversos debates feministas e uma leva de protestos e manifestações calorosas ou simplistas, como essa.

Foram fabricados 400 relógios despertadores, que chegaram as mãos de mulheres de vários setores em diversos pontos do país, isso tudo para destacar o “Dia da Desigualdade Salarial”. Desde de 2014 a MTV já tem a patente do relógio que foi lançado para fóruns que discutiam desigualdade, preconceito racial e de gênero.

A criação teve um bom feedback nas redes sociais ganhando vários tweets das mulheres que receberam o despertador.

Unir criatividade com protesto foi a proposta da campanha, afinal de contas os 79% são apenas para mulheres americanas, as mulheres africanas e latinas chegam a ganhar menos, 55% e 60% respectivamente.

Por Pedro Ribas.

Com amor, GKPB. <3

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Interestelar impressiona e dá um nó na cabeça

Por: Colaboradores

Se você ainda não viu, vale ler a sinopse e tomar cuidado com alguns spoilers – mas garanto que nenhum vai te prejudicar. Resumindo, o filme mostra a viagem de uma equipe de astronautas à procura de outros planetas para os seres humanos habitarem, pois a vida na Terra está por um fio e essa é a única solução.

Assisti Interestelar no sábado e desde então estou pensando em como escrever sobre. Antes disso, queria só compartilhar minha experiência: a sessão era 17h20, eu jurava que era 17h50; cheguei atrasado à sala, tinham pegado meu lugar (fileira do meio, comprada com dois dias de antecedência… pois é, coisa de quem mora em São Paulo); no final das contas, sentei na primeira fileira. Primeira fileira de uma sala IMAX. Eu praticamente fui para o espaço junto com o elenco.

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Uma coisa é fato: o Christopher Nolan é muito, muito ambicioso. Eu já vi seus maiores filmes – Amnésia, O Grande Truque, trilogia Cavaleiro das Trevas e A Origem. Em todos eles fica extremamente visível a necessidade de criar algo imponente e grandioso, mas claro que o caminho pra chegar nesse objetivo é feito de maneiras diferentes em cada um.

E o roteiro de todos eles é complexo, com reviravoltas, ainda que também de formas diferentes. Interestelar, a julgar por essas características, se aproxima de A Origem; se aproxima também no fator mindfuck, que é mais ou menos quando um raciocínio atinge níveis impressionantes de criatividade/inteligência, a ponto de dar um bug na nossa cabeça – ou na expressão do momento: a ponto de desgraçar nossa cabeça.

Interestelar apresenta várias teorias e explicações (alguns reclamaram disso, mas não vi nenhum problema) sobre buracos negros, wormholes, planetas, física quântica, astronomia e afins e se tudo ali fosse verdade as quase 3 horas de filme seriam equivalentes a um curso completo. O mais impressionante é a percepção de tempo-espaço que domina o filme e que me deixou boquiaberto, tonto, mas no bom sentido.

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O personagem de Matthew McConaughey precisa escolher entre ficar com os filhos ou ir à missão

Percebi que eu até me inclinava na poltrona pra prestar atenção e ficar maravilhado com as ideias e, obviamente, com as imagens, com o som e com a direção de arte em geral. Vale muito a pena ver em uma sala IMAX; a imersão é sensacional. Visualmente e sensorialmente Interestelar é impecável. Eu quis entrar na tela e na verdade tive essa impressão praticamente o tempo todo.

Em se tratando de um blockbuster norte-americano que mistura ficção científica com drama (familiar, ainda por cima), é óbvio que tem aquele clima literalmente apocalíptico e em vários momentos a pieguice toma conta, seja por meio de diálogos e frases feitas, seja pela cena com trilha sonora triste e dispensável que embala um momento comovente por si só. O filme não teria apelo para o “grande público” se não tivesse esses momentos vamos-fazer-a-galera-chorar.

Mas mesmo assim, ainda que não precise de comentários, Matthew McConaughey, sobretudo, está cada vez melhor e… sim, eu chorei em todas as cenas em que ele chorou, pelo caráter desesperador que tudo toma conta à medida que a história vai se desenrolando. Ainda que os durões tenham achado algumas cenas o ápice da cafonice (muitas realmente são), outras são bem emocionantes.

Anne Hathaway ficou muito parecida com Sandra Bullock em Gravidade. :(
Anne Hathaway ficou muito parecida com Sandra Bullock em Gravidade. 🙁

À parte disso, não acho que Interestelar seja tão irregular quanto estão divulgando por aí, embora a opulência possa ser considerada um ponto negativo. Não acho que, nesse caso, menos seja mais. O filme é fascinante e com uma proposta diferente do que eu costumo ver em longas do gênero. A duração não é um problema, porque tem tanta coisa pra acontecer que menos tempo de projeção deixaria tudo corrido e não daria pra entender direito – não que dê pra entender 100% do que acontece sem recorrer a alguns textos ou análises depois, e não que isso seja necessário também, eu mesmo não o fiz.

O segredo pra aproveitar Interestelar é não confundir o horário da sessão mergulhar de cabeça e deixar a mania de racionalização de lado pra poder entrar naquela loucura. Assim, você vai ser capaz de imergir em outra dimensão, outra realidade, outra galáxia.

Com amor, GKPB. <3

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Cinema: Boyhood – Da Infância à Juventude

Por: Colaboradores

O tanto de coisa que já saiu na mídia sobre Boyhood não está escrito. Antes de assistir ao filme (o que fiz no último sábado), e até agora, eu li apenas textos genéricos, que contavam a sinopse, o processo de produção e etc. Quando eu sinto vontade de escrever sobre um filme eu procuro não ler críticas antes, sejam elas positivas ou negativas, porque acho que pode me influenciar. Mas logo que acabar de escrever esse texto aqui vou correndo ver o que o Pablo Villaça achou.

A saber: Boyhood demorou 12 anos pra ficar pronto, pois o diretor (Richard Linklater, da sen-sa-ci-o-nal trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia Noite) trabalhou com os mesmos atores e filmava poucos dias a cada ano, justamente para conferir ao filme um quê inacreditável de realidade.

Ellar Coltrane durante a produção de Boyhood

Boyhood mostra a vida de Mason (Ellar Coltrane) e sua família: as etapas da vida, as decepções, o amadurecimento… Enfim, a vida como ela é, sem rodeios. É simples, mas não simplista, vale dizer. Já vale ir ao cinema assistir – ok, podem baixar – pelo tempo de produção e pela naturalidade do filme. Ainda que tudo gire em torno de Mason, ele pouco fala, pois é extremamente introspectivo – em parte porque é de sua natureza (já logo me identifiquei) e em parte por conta de tudo que ele vivencia dentro de casa desde muito pequeno. As 2h45 passam como se fossem 10 minutos, porque tudo corre tão bem que parece que estamos nos vendo na tela; é impossível não se identificar pelo menos com uma cena. Pode-se dizer também, com um viés mais poético ou desesperador, que o filme passa tão rápido quanto a nossa vida.

O que não tem como deixar de lado ao falar de Boyhood é a contextualização histórica e cultural. Por ter demorado 12 anos pra ficar pronto, aqueles velhos problemas para ambientar um filme sob determinada época sem parecer artificial foram completamente descartados, pois filmando no próprio ano em que se passa a história, não se tem esse trabalho. E o mais importante: contribui para a naturalidade da trama. Quando vemos a cena em que a irmã de Mason assiste ao clipe de Telephone, da Lady Gaga (2010), não imaginamos que Linklater buscou referências sobre o ano de 2010; ele só filmou o que estava fazendo sucesso naquele momento, assim como a cena em que os personagens vão ao lançamento de um livro da saga Harry Potter. Outro exemplo, mais com a cara aqui do Geek, é quando Mason está na escola brincando num daqueles iMacs coloridos (1998-2003). Mesma coisa sobre a trilha sonora, que já começa com Yellow, do Coldplay, chega aos descolados do Phoenix e termina com Arcade Fire.

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Pode parecer pessoal demais, mas achei que o filme todo é carregado de melancolia e existencialismo. Embora seja repleto de cenas e acontecimentos normais e alegres na vida de qualquer pessoa, o que predomina é aquela atmosfera de “o que querem que eu seja na vida?” versus “o que eu realmente quero da minha vida?” e toda essa pressão é mostrada principalmente em cima do protagonista – embora sua mãe também passe por isso o tempo todo, com a responsabilidade extra de ter uma família para sustentar.

Quem tem seus 20 e poucos anos vai entender bem o que é essa pressão. Quem tem mais, vai se lembrar de quando passou por todo tipo de crise: obrigações banais da infância, pressões da adolescência (ser cool, arrumar um par, beber, fumar, perder a virgindade, se enturmar, arrumar um trabalho) e a responsabilidade de sair de casa ao entrar para a universidade. Quem tem menos de 20 e poucos anos vai ver mais ou menos como a vida segue até que se chegue à universidade (quando o filme acaba). Eu saí da sessão extasiado, mas pensando tanto na vida que antes de voltar pra casa dei uma volta ali pelo cinema antes de entrar na estação de metrô mais próxima. Tamanho o peso que Boyhood tem ao mostrar a nossa existência de forma tão sincera e, exatamente por isso, certeira.

Com amor, GKPB. <3

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Cinema em dose dupla, parte II – Sin City 2

Por: Colaboradores

Eu costumo ir muito, mas muito mesmo, ao cinema. E sozinho. Pra mim, é tão natural quanto acordar pra ir trabalhar. Enfim… Embora eu tenha esse costume, estou indo pouco, mas sem um motivo em especial. Da mesma forma que ando escrevendo pouco (pouquíssimo, quase nada, na realidade) aqui pro Geek. Então, pra aliviar esse sentimento de culpa, vou falar sobre os 2 mais recentes que eu vi no cinema: o blockbuster Annabelle (texto aqui) e o blockbuster pero no mucho Sin City 2.

Sin City 2

Falei que Sin City é um “blockbuster pero no mucho” porque aqui em SP o filme está em cartaz tanto em grandes salas, como Cinemark, como nas ditas salas de arte, como o Belas Artes e, pasmem, o Reserva Cultural. Atestado de que o diretor, Robert Rodriguez, é cult.

Assim como Annabelle, a boneca, não é a protagonista do filme (ela é o ponto de partida; considero o mal em si como o “agente” principal do filme), a Dama Fatal do título de Sin City também não é a protagonista da continuação da história que começou lá em 2005, embora ela (interpretada por Eva Green, exibindo sensualidade e cinismo convincentes) provoque uma série de acontecimentos que dão movimento ao filme. Sin City 2, vamos chamar assim por ser mais prático, é uma junção de vários acontecimentos na tal Cidade do Pecado que ficam mais soltos do que na primeira parte e, portanto, causam menos impacto. Embora a primeira parte também funcione como recortes da violenta cidade, essa sequência é mais aleatória; mas não achei menos elegante, apenas menos interessante.

Eva Green é, realmente, "a dame to kill for"
Eva Green é, realmente, “a dame to kill for”

O visual, obviamente, segue a mesma linha do primeiro e mistura traços que remetem à HQ, mescla cor com preto e branco e esbanja muito sangue, muita sensualidade e muita, muita violência. Não sei se é porque desacostumei com esse tipo de filme (Kill Bill já foi um dos meus favoritos no passado, mas hoje o que mais vejo é Bergman e esse tipo de coisa existencial), mas cheguei a questionar se realmente precisava de tanto tiro, porrada e bomba. Mas, na verdade, meu questionamento durou poucos minutos, porque logo depois eu entrei no clima e não achei nada exagerado, e até consegui achar uma relação entre o longa e o que Godard disse sobre o que é necessário para fazer um filme: uma garota e uma arma. Sin City 2 tem garotas e armas de sobra.

Existe algo sobrenatural em Sin City, alguma força que move seus singulares moradores, que não deixa ninguém sair dali. Quem sai, volta, mesmo que seja procurando vingança, como o personagem de Joseph Gordon-Levitt. Aliás, vingança é o que move os personagens, seja entre pai e filho, entre amigos, entre companheiros de trabalho. As femmes fatales que acabam com as acusações de ser um filme machista, os durões de cara fechada que dão medo mesmo estando do outro lado da tela e o político corrupto (quem em Basin City não é, de alguma forma?) são desvirtuados, fogem do padrão imposto de normalidade e não deixam de ser estereótipos, mas quem liga? Nada dali é real, nada pretende ser real. A intenção é potencializar uma verdade particular que só existe ali, naquela cidade, na imaginação de Frank Miller – o autor da HQ -, que passa a ser nossa imaginação também.

Com amor, GKPB. <3

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Cinema em dose dupla, parte I – Annabelle

Por: Colaboradores

Eu costumo ir muito, mas muito mesmo, ao cinema. E sozinho. Pra mim, é tão natural quanto acordar pra ir trabalhar. Enfim… Embora eu tenha esse costume, estou indo pouco, mas sem um motivo em especial. Da mesma forma que ando escrevendo pouco (pouquíssimo, quase nada, na realidade) aqui pro Geek. Então, pra aliviar esse sentimento de culpa, vou falar sobre os 2 mais recentes que eu vi no cinema: o blockbuster Annabelle e o blockbuster pero no mucho Sin City 2 (texto aqui).

Annabelle

Quem assistiu Invocação do Mal já conhece Annabelle, aquela boneca horrenda que precisa ficar isolada de outros objetos, de tão demoníaca que ela é e de tanto mal que ela causa. Nesse filme, antecessor aos acontecimentos de Invocação, a gente conhece mais a fundo a história dessa bonitinha e o inferno que ela causou na vida de uma típica família “padrão” americana, aquelas de comercial de margarina, depois que a tal boneca foi atingida por um espírito, um demônio, ou o que quer que seja. Como se ela não fosse assustadora o suficiente e precisasse de uma possessão pra dar medo.

O filme é assustador não necessariamente devido à história, até mesmo porque é clichê seguido de clichê. Nada ali é inovador. Se você for assistir, tenha certeza de que entrará na sala já conhecendo o começo, o meio e o fim do filme. Mas isso, na verdade, não importa. Annabelle é o que eu particularmente chamo de “filme de susto”: um filme baseado em criar uma atmosfera de suspense e tensão sempre crescentes (com a ajuda, claro, da sonoplastia e da trilha sonora, imprescindíveis em filmes do tipo), em que praticamente toda cena você vai dar um pulo na poltrona. E isso é muito divertido, ainda mais numa sala cheia de adultos que juram de pé junto que não têm medo de nada – esses mesmos adultos que gritam quando essas cenas chegam ao clímax.

A propósito, acredito que ver no cinema é ainda melhor, porque a experiência da tensão é compartilhada com as 100, 200 pessoas que estão ali dentro; todos estão na mesma vibração, esperando aquele espírito aparecer e a protagonista soltar aquele grito. Isso me faz perceber que nem é tão ruim assim ver filme comercial de vez em quando.

Quem não queria ter uma dessas no quarto?
Quem não queria ter uma dessas no quarto?

Em alguns momentos senti um clima parecido com O Bebê de Rosemary, entre tantos outros filmes similares. Não que a história seja parecida, mas por alguns elementos de filmagem, objetos (o carrinho de bebê) e também pela caracterização dos personagens (a mãe do bebê cuja alma precisa ser oferecida aos espíritos malignos que impregnaram em Annabelle). Além disso, o filme é cheio de referências ao gênero e abusa de todos os recursos do terror, como os enquadramentos; o elevador que insiste em não fechar e subir ao maldito andar que o personagem precisa ir – a melhor cena; quedas de energia; chuva, raios e trovões; padres exorcistas; a mocinha que cai no chão e não consegue levantar; a pipoca que estoura sozinha e faz a casa se incendiar; cadeiras de balanço rangendo sozinhas; criaturas e personagens saindo do escuro, do meio do nada, enquanto um barulho lancinante estoura seus tímpanos; close-ups em bonecas e objetos assustadores e tantas outras coisas que a gente conhece tão bem, mas que sempre assustam na hora em que estamos assistindo e, principalmente, na hora de dormir.

Interessante reparar em como a boneca se transforma: no começo do filme ela está branca, intacta; no final, ela está preta e suas feições completamente diferentes. Preciso confessar que, sim, fiquei apreensivo e com medo. Sorte que não tem boneca no meu quarto… mas anos atrás minha irmã tinha uma Kelly Key horripilante de 1 metro e 20 em casa (e ela vivia caindo “sozinha”).

Com amor, GKPB. <3

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A obsessão é realmente infinita

Por: Colaboradores

O crescente interesse dos paulistanos por arte é animador. Nos meus poucos anos de vida, não lembro de ter visto tanta notícia e tanto alarde sobre exposições, estreias de cinema e muito menos de peças teatrais. Os finais de semana são regados a intensa atividade cultural, sempre. O interesse por exposições com um quê de sensorial, então, somam recordes de público, como é o caso de Obsessão Infinita, de Yayoi Kusama. Fui até o Instituto Tomie Ohtake no último sábado aproveitar a penúltima semana em que as obras da artista japonesa ficam em cartaz em São Paulo. Daqui a pouco elas se despedem de nós e partem para o México.

Eu, que me interesso muito por arte, mas não possuo conhecimento suficiente pra analisar técnica ou profundamente as obras e procuro apenas senti-las, me limito a dizer que as obras são sensacionais, principalmente as instalações, absurdamente imersivas, e as pinturas, que também não deixam nada a desejar. Incrível como a artista usa suas fraquezas e as transforma em arte. Yayoi consegue nos deixar boquiabertos diante da competência em transmitir seus sentimentos e impressões tanto sobre as próprias alucinações e fobias (as famosas “bolinhas” e os falos multiplicados por espelhos) quanto sobre o culto à imagem e o narcisismo – estes dois últimos temas sempre pertinentes, o que constatei à força, ontem mesmo, enquanto observava não só as obras, mas também o público.

Não sei direito o que aconteceu. Por ironia do destino, a exposição acontece num momento em que o cotidiano é pautado por imagens. Fotos, pra ser mais exato. Um passo, uma foto. Seja de um cenário, seja da própria pessoa que está com a câmera na mão. As pessoas, inclusive eu, muitas vezes parecem turistas dentro da própria cidade. Isso é bom, faz a gente prestar atenção nos detalhes que cercam a nossa rua, nosso bairro, enfim. Isso não é bom quando a obsessão (com ou sem trocadilhos, como quiserem) invade uma exposição de arte a ponto das pessoas ignorarem completamente a artista, a razão de suas obras e passarem batido, literalmente, por metade das criações. A intenção é chegar o quanto antes às seções em que todos estão tirando fotos e publicando no Facebook, no Instagram, sei lá onde mais, pra garantir logo e depois poder ir embora. O problema não é tirar foto, o problema é tirar foto e nada mais.

Parece irônico esse comportamento, ainda mais quando a exposição é de uma artista que critica e reflete a exposição da imagem – entendedores de arte, eu sei que Yayoi se promovia em cima da própria crítica ao narcisismo e que ela, em seu tempo em Nova York, era tão icônica e aparecia tanto quanto Andy Warhol, obrigado. No meu entendimento, se você passa 2 horas numa fila, o mínimo que se pode fazer é prestar atenção em tudo que você bate o olho. Se você ficou horas esperando pra entrar naquele lugar, perca alguns segundos lendo aquele textinho de um bloco que explica o que vai vir a seguir, naquela sala, instalação, escultura. Não sei se eu que sou muito ranzinza ou se é realmente estranho ver pessoas passando por salas com 20, 30 pinturas extraordinárias e se preocuparem em tirar uma foto ao lado de uma qualquer. Tudo bem, ela escolheu aquela pintura em si porque achou bonita. Mas é bonita porque combina com seu “conceito de belo” (termo pedante, desculpe, é impossível falar de arte, mesmo sem conhecimento, sem usar palavras assim) ou porque vai render uns belos likes nas redes sociais? Sem contar os visitantes que estavam batendo com a mão nas telas. Sim. Batendo. Nas. Telas. Originais. Da. Artista. E desrespeitando aquela faixa de isolamento.

Ainda assim, a exposição faz valer todo o tempo que ficamos em pé esperando pra entrar. Se você for forte e conseguir absorver tudo que vê sem prestar muita atenção ao monte de crianças correndo pra todo lado e à tempestade de fotografias, vai ter a oportunidade de conhecer de perto o trabalho de uma artista que, numa demonstração de força, converte loucura em arte.

Em tempo: esse texto não tem imagens da exposição porque eu não tirei o celular do bolso durante a visita, que estava com a internet desligada, inclusive.

Com amor, GKPB. <3

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#‎BelasArtesMeuAmor que bom que você está de volta!

Por: Matheus Ferreira

O Belas Artes é uma espécie de templo sagrado dos cinéfilos paulistanos. E depois de um conturbado fechamento que durou mais de três anos o cinema de rua mais famoso da cidade está de volta e já tem até data: 20 de julho.

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Fachada do cinema tomada por pichações após o fechamento que durou cerca de 3 anos (Foto: Lívia Machado/G1)

Eu não sou dos maiores fãs da sétima arte, mas um pouco da minha história está no Belas Artes. Tudo bem, minha pipoca preferida ainda é a do Cinemark, mas o Belas Artes era um lugar diferente de praticamente todos os cinemas paulistanos e por esse motivo, era mais que um cinema; era uma fuga da vida caótica da maior metrópole da América Latina para vivenciar um espírito cultural que só quem o frequentava consegue explicar.

Tá achando que eu sou exagerado? Talvez. Mas pelo menos 100 mil pessoas que também assinaram uma petição pedindo a volta do cinema devem concordar comigo.

"Quanto vale um sonho?" dizia um dos cartazes dos inúmeros protestos realizados para o não-fechamento do cinema
“Quanto vale um sonho?” dizia um dos cartazes dos inúmeros protestos realizados para o não-fechamento do cinema

Em meio a tantos Cinemarks, iMaxes, Cinépolis com suas cadeiras superconforáveis, food service, quarta dimensão e todo o blá blá blá que qualquer viciado em tecnologia teria bastante curiosidade de experimentar; o que prevaleceu foi a experiência intangível, o refúgio e o carinho que nós, seres humanos criamos por pessoas, filmes e até mesmo cinemas, como é o caso.

Belas Artes, meu amor. Você infelizmente só voltou depois que eu já deixei a cidade de São Paulo. Eu sinto quase como se tivéssemos em um filme de romance onde o casal no ponto mais auge de seu relacionamento fossem obrigados a se separar por uma vilã incansável chamada capitallismo.

Mas você está de volta. E, assim como nos melhores finais, o amor e a paixão sempre vencem qualquer barreira.

“O Belas Artes não é um negócio, é um projeto.” Andre Sturm.

Este não é um artigo comum, ele é um desabafo. Uma declaração.

Com amor, GKPB. <3

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A surpreendente delicadeza de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”

Por: Colaboradores

Antes de ler: se você não viu o curta, vai se deparar com alguns detalhes que pode considerar como spoilers.

“Forelsket” é uma palavra dinamarquesa que entra num grupo de palavras intraduzíveis, mais ou menos como “saudade”. É daquelas que a gente tem que explicar o significado através de um contexto. Pra entender o significado de “forelsket”, que é usada pra caracterizar o início do amor, aquele frio na barriga, o coração disparado, basta assistir a Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. O filme, muito sensível, é um desenvolvimento mais complexo do celebrado curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de 2010, que fez bastante sucesso na internet.

A gente acompanha a história de Leonardo, um garoto cego que tem de lidar com o bullying na escola (por precisar de ajuda pra realizar algumas tarefas do dia a dia), a pressão para beijar logo uma garota e “tirar isso do caminho”, como um personagem diz em dado momento, além de estar cada vez mais aborrecido com a pressão e a superproteção dos pais – sobretudo da mãe –, que querem saber de cada passo do filho. Ou seja, Leonardo é o típico adolescente passando pelos conflitos típicos da adolescência. Como se não bastasse, a chegada do novo aluno na classe, que coincidentemente senta atrás dele, faz com que Leonardo tenha que enfrentar a descoberta do amor e de sua homossexualidade. É fácil para que qualquer um se identifique, tenhamos nós 15, 20, 30 anos. Porque são processos naturais (e penosos, diga-se de passagem) da vida. Até o mais popular dos alunos já passou por constrangimento uma vez na vida. O mais desiludido dos adolescentes já se deparou com uma paixão. O mais excluído dos alunos já tentou encontrar e encontrou sua turma. O mais feliz já ficou puto da vida e bebeu pra esquecer a tristeza. Ninguém é imune à vida. Você vai se encontrar em algum personagem.

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No que diz respeito à descoberta de Leo, o filme não poderia ser mais sincero e sensível, tanto no sentimento quanto em aspectos visuais. A abordagem é delicada e o ritmo do filme é exatamente como o ritmo de alguém que se apaixona: começa devagar, vai com calma, flerta, até que tudo explode e não dá mais pra segurar. Isso me fez lembrar da música “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, que fala pra gente não se afobar, que nada é pra já. O filme, e Leonardo, e Gabriel (o garoto novo), não se afobam; eles têm paciência, porque sabem que uma hora vão se ajeitar. Enquanto não podem, desenvolvem pequenos gestos que indicam o que querem um com o outro. Obviamente, nem tudo são flores, ainda mais por se tratar de um garoto que se apaixona por outro garoto. Eles precisam esconder o que sentem, porque os colegas de classe, os pais e a sociedade não aceitam. E ao dizer que a abordagem é sincera, é preciso dizer também que não é apenas em relação aos sentimentos dos dois apaixonados, é sincera quando mostra que se deixam as amizades de lado, cada vez mais e sem perceber; é sincera quando mostra a revolta de um adolescente para se soltar das amarras que os pais impõem; é sincera quando mostra a tentativa de negação de um sentimento e o processo de amadurecimento (bem como o comportamento dos adolescentes e, mais especificamente, seu modo de falar) tal qual eles são.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é repleto de detalhes – algumas vezes elípticos – que “entregam” o que vai acontecer de forma elegante, ainda que muitos possam falar que os artifícios são manjados. Detalhes como uma música (que bonito quando toca Cícero e quando toca Belle and Sebastian!), uma blusa esquecida no encosto da cadeira, as costas enquanto a água do chuveiro escorre e a gente vê num super close, o aprendizado trocado entre os dois ou, ainda, o close na boca de Gabriel explicando a Leonardo segundo a segundo de um filme numa sessão que os dois resolveram pegar depois da escola. É um filme puro, mais sutil do que evidente, que faz a gente ver que não se escolhe a quem vamos amar, quando vamos amar, porque vamos amar (e precisa ter por quê?). A gente percebe que se apaixonar é a melhor coisa do mundo.

Com amor, GKPB. <3

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