Interestelar impressiona e dá um nó na cabeça

Por: Colaboradores

Se você ainda não viu, vale ler a sinopse e tomar cuidado com alguns spoilers – mas garanto que nenhum vai te prejudicar. Resumindo, o filme mostra a viagem de uma equipe de astronautas à procura de outros planetas para os seres humanos habitarem, pois a vida na Terra está por um fio e essa é a única solução.

Assisti Interestelar no sábado e desde então estou pensando em como escrever sobre. Antes disso, queria só compartilhar minha experiência: a sessão era 17h20, eu jurava que era 17h50; cheguei atrasado à sala, tinham pegado meu lugar (fileira do meio, comprada com dois dias de antecedência… pois é, coisa de quem mora em São Paulo); no final das contas, sentei na primeira fileira. Primeira fileira de uma sala IMAX. Eu praticamente fui para o espaço junto com o elenco.

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Uma coisa é fato: o Christopher Nolan é muito, muito ambicioso. Eu já vi seus maiores filmes – Amnésia, O Grande Truque, trilogia Cavaleiro das Trevas e A Origem. Em todos eles fica extremamente visível a necessidade de criar algo imponente e grandioso, mas claro que o caminho pra chegar nesse objetivo é feito de maneiras diferentes em cada um.

E o roteiro de todos eles é complexo, com reviravoltas, ainda que também de formas diferentes. Interestelar, a julgar por essas características, se aproxima de A Origem; se aproxima também no fator mindfuck, que é mais ou menos quando um raciocínio atinge níveis impressionantes de criatividade/inteligência, a ponto de dar um bug na nossa cabeça – ou na expressão do momento: a ponto de desgraçar nossa cabeça.

Interestelar apresenta várias teorias e explicações (alguns reclamaram disso, mas não vi nenhum problema) sobre buracos negros, wormholes, planetas, física quântica, astronomia e afins e se tudo ali fosse verdade as quase 3 horas de filme seriam equivalentes a um curso completo. O mais impressionante é a percepção de tempo-espaço que domina o filme e que me deixou boquiaberto, tonto, mas no bom sentido.

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O personagem de Matthew McConaughey precisa escolher entre ficar com os filhos ou ir à missão

Percebi que eu até me inclinava na poltrona pra prestar atenção e ficar maravilhado com as ideias e, obviamente, com as imagens, com o som e com a direção de arte em geral. Vale muito a pena ver em uma sala IMAX; a imersão é sensacional. Visualmente e sensorialmente Interestelar é impecável. Eu quis entrar na tela e na verdade tive essa impressão praticamente o tempo todo.

Em se tratando de um blockbuster norte-americano que mistura ficção científica com drama (familiar, ainda por cima), é óbvio que tem aquele clima literalmente apocalíptico e em vários momentos a pieguice toma conta, seja por meio de diálogos e frases feitas, seja pela cena com trilha sonora triste e dispensável que embala um momento comovente por si só. O filme não teria apelo para o “grande público” se não tivesse esses momentos vamos-fazer-a-galera-chorar.

Mas mesmo assim, ainda que não precise de comentários, Matthew McConaughey, sobretudo, está cada vez melhor e… sim, eu chorei em todas as cenas em que ele chorou, pelo caráter desesperador que tudo toma conta à medida que a história vai se desenrolando. Ainda que os durões tenham achado algumas cenas o ápice da cafonice (muitas realmente são), outras são bem emocionantes.

Anne Hathaway ficou muito parecida com Sandra Bullock em Gravidade. :(
Anne Hathaway ficou muito parecida com Sandra Bullock em Gravidade. 🙁

À parte disso, não acho que Interestelar seja tão irregular quanto estão divulgando por aí, embora a opulência possa ser considerada um ponto negativo. Não acho que, nesse caso, menos seja mais. O filme é fascinante e com uma proposta diferente do que eu costumo ver em longas do gênero. A duração não é um problema, porque tem tanta coisa pra acontecer que menos tempo de projeção deixaria tudo corrido e não daria pra entender direito – não que dê pra entender 100% do que acontece sem recorrer a alguns textos ou análises depois, e não que isso seja necessário também, eu mesmo não o fiz.

O segredo pra aproveitar Interestelar é não confundir o horário da sessão mergulhar de cabeça e deixar a mania de racionalização de lado pra poder entrar naquela loucura. Assim, você vai ser capaz de imergir em outra dimensão, outra realidade, outra galáxia.

Com amor, GKPB. <3

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Cinema: Boyhood – Da Infância à Juventude

Por: Colaboradores

O tanto de coisa que já saiu na mídia sobre Boyhood não está escrito. Antes de assistir ao filme (o que fiz no último sábado), e até agora, eu li apenas textos genéricos, que contavam a sinopse, o processo de produção e etc. Quando eu sinto vontade de escrever sobre um filme eu procuro não ler críticas antes, sejam elas positivas ou negativas, porque acho que pode me influenciar. Mas logo que acabar de escrever esse texto aqui vou correndo ver o que o Pablo Villaça achou.

A saber: Boyhood demorou 12 anos pra ficar pronto, pois o diretor (Richard Linklater, da sen-sa-ci-o-nal trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia Noite) trabalhou com os mesmos atores e filmava poucos dias a cada ano, justamente para conferir ao filme um quê inacreditável de realidade.

Ellar Coltrane durante a produção de Boyhood

Boyhood mostra a vida de Mason (Ellar Coltrane) e sua família: as etapas da vida, as decepções, o amadurecimento… Enfim, a vida como ela é, sem rodeios. É simples, mas não simplista, vale dizer. Já vale ir ao cinema assistir – ok, podem baixar – pelo tempo de produção e pela naturalidade do filme. Ainda que tudo gire em torno de Mason, ele pouco fala, pois é extremamente introspectivo – em parte porque é de sua natureza (já logo me identifiquei) e em parte por conta de tudo que ele vivencia dentro de casa desde muito pequeno. As 2h45 passam como se fossem 10 minutos, porque tudo corre tão bem que parece que estamos nos vendo na tela; é impossível não se identificar pelo menos com uma cena. Pode-se dizer também, com um viés mais poético ou desesperador, que o filme passa tão rápido quanto a nossa vida.

O que não tem como deixar de lado ao falar de Boyhood é a contextualização histórica e cultural. Por ter demorado 12 anos pra ficar pronto, aqueles velhos problemas para ambientar um filme sob determinada época sem parecer artificial foram completamente descartados, pois filmando no próprio ano em que se passa a história, não se tem esse trabalho. E o mais importante: contribui para a naturalidade da trama. Quando vemos a cena em que a irmã de Mason assiste ao clipe de Telephone, da Lady Gaga (2010), não imaginamos que Linklater buscou referências sobre o ano de 2010; ele só filmou o que estava fazendo sucesso naquele momento, assim como a cena em que os personagens vão ao lançamento de um livro da saga Harry Potter. Outro exemplo, mais com a cara aqui do Geek, é quando Mason está na escola brincando num daqueles iMacs coloridos (1998-2003). Mesma coisa sobre a trilha sonora, que já começa com Yellow, do Coldplay, chega aos descolados do Phoenix e termina com Arcade Fire.

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Pode parecer pessoal demais, mas achei que o filme todo é carregado de melancolia e existencialismo. Embora seja repleto de cenas e acontecimentos normais e alegres na vida de qualquer pessoa, o que predomina é aquela atmosfera de “o que querem que eu seja na vida?” versus “o que eu realmente quero da minha vida?” e toda essa pressão é mostrada principalmente em cima do protagonista – embora sua mãe também passe por isso o tempo todo, com a responsabilidade extra de ter uma família para sustentar.

Quem tem seus 20 e poucos anos vai entender bem o que é essa pressão. Quem tem mais, vai se lembrar de quando passou por todo tipo de crise: obrigações banais da infância, pressões da adolescência (ser cool, arrumar um par, beber, fumar, perder a virgindade, se enturmar, arrumar um trabalho) e a responsabilidade de sair de casa ao entrar para a universidade. Quem tem menos de 20 e poucos anos vai ver mais ou menos como a vida segue até que se chegue à universidade (quando o filme acaba). Eu saí da sessão extasiado, mas pensando tanto na vida que antes de voltar pra casa dei uma volta ali pelo cinema antes de entrar na estação de metrô mais próxima. Tamanho o peso que Boyhood tem ao mostrar a nossa existência de forma tão sincera e, exatamente por isso, certeira.

Com amor, GKPB. <3

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Cinema em dose dupla, parte II – Sin City 2

Por: Colaboradores

Eu costumo ir muito, mas muito mesmo, ao cinema. E sozinho. Pra mim, é tão natural quanto acordar pra ir trabalhar. Enfim… Embora eu tenha esse costume, estou indo pouco, mas sem um motivo em especial. Da mesma forma que ando escrevendo pouco (pouquíssimo, quase nada, na realidade) aqui pro Geek. Então, pra aliviar esse sentimento de culpa, vou falar sobre os 2 mais recentes que eu vi no cinema: o blockbuster Annabelle (texto aqui) e o blockbuster pero no mucho Sin City 2.

Sin City 2

Falei que Sin City é um “blockbuster pero no mucho” porque aqui em SP o filme está em cartaz tanto em grandes salas, como Cinemark, como nas ditas salas de arte, como o Belas Artes e, pasmem, o Reserva Cultural. Atestado de que o diretor, Robert Rodriguez, é cult.

Assim como Annabelle, a boneca, não é a protagonista do filme (ela é o ponto de partida; considero o mal em si como o “agente” principal do filme), a Dama Fatal do título de Sin City também não é a protagonista da continuação da história que começou lá em 2005, embora ela (interpretada por Eva Green, exibindo sensualidade e cinismo convincentes) provoque uma série de acontecimentos que dão movimento ao filme. Sin City 2, vamos chamar assim por ser mais prático, é uma junção de vários acontecimentos na tal Cidade do Pecado que ficam mais soltos do que na primeira parte e, portanto, causam menos impacto. Embora a primeira parte também funcione como recortes da violenta cidade, essa sequência é mais aleatória; mas não achei menos elegante, apenas menos interessante.

Eva Green é, realmente, "a dame to kill for"
Eva Green é, realmente, “a dame to kill for”

O visual, obviamente, segue a mesma linha do primeiro e mistura traços que remetem à HQ, mescla cor com preto e branco e esbanja muito sangue, muita sensualidade e muita, muita violência. Não sei se é porque desacostumei com esse tipo de filme (Kill Bill já foi um dos meus favoritos no passado, mas hoje o que mais vejo é Bergman e esse tipo de coisa existencial), mas cheguei a questionar se realmente precisava de tanto tiro, porrada e bomba. Mas, na verdade, meu questionamento durou poucos minutos, porque logo depois eu entrei no clima e não achei nada exagerado, e até consegui achar uma relação entre o longa e o que Godard disse sobre o que é necessário para fazer um filme: uma garota e uma arma. Sin City 2 tem garotas e armas de sobra.

Existe algo sobrenatural em Sin City, alguma força que move seus singulares moradores, que não deixa ninguém sair dali. Quem sai, volta, mesmo que seja procurando vingança, como o personagem de Joseph Gordon-Levitt. Aliás, vingança é o que move os personagens, seja entre pai e filho, entre amigos, entre companheiros de trabalho. As femmes fatales que acabam com as acusações de ser um filme machista, os durões de cara fechada que dão medo mesmo estando do outro lado da tela e o político corrupto (quem em Basin City não é, de alguma forma?) são desvirtuados, fogem do padrão imposto de normalidade e não deixam de ser estereótipos, mas quem liga? Nada dali é real, nada pretende ser real. A intenção é potencializar uma verdade particular que só existe ali, naquela cidade, na imaginação de Frank Miller – o autor da HQ -, que passa a ser nossa imaginação também.

Com amor, GKPB. <3

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Cinema em dose dupla, parte I – Annabelle

Por: Colaboradores

Eu costumo ir muito, mas muito mesmo, ao cinema. E sozinho. Pra mim, é tão natural quanto acordar pra ir trabalhar. Enfim… Embora eu tenha esse costume, estou indo pouco, mas sem um motivo em especial. Da mesma forma que ando escrevendo pouco (pouquíssimo, quase nada, na realidade) aqui pro Geek. Então, pra aliviar esse sentimento de culpa, vou falar sobre os 2 mais recentes que eu vi no cinema: o blockbuster Annabelle e o blockbuster pero no mucho Sin City 2 (texto aqui).

Annabelle

Quem assistiu Invocação do Mal já conhece Annabelle, aquela boneca horrenda que precisa ficar isolada de outros objetos, de tão demoníaca que ela é e de tanto mal que ela causa. Nesse filme, antecessor aos acontecimentos de Invocação, a gente conhece mais a fundo a história dessa bonitinha e o inferno que ela causou na vida de uma típica família “padrão” americana, aquelas de comercial de margarina, depois que a tal boneca foi atingida por um espírito, um demônio, ou o que quer que seja. Como se ela não fosse assustadora o suficiente e precisasse de uma possessão pra dar medo.

O filme é assustador não necessariamente devido à história, até mesmo porque é clichê seguido de clichê. Nada ali é inovador. Se você for assistir, tenha certeza de que entrará na sala já conhecendo o começo, o meio e o fim do filme. Mas isso, na verdade, não importa. Annabelle é o que eu particularmente chamo de “filme de susto”: um filme baseado em criar uma atmosfera de suspense e tensão sempre crescentes (com a ajuda, claro, da sonoplastia e da trilha sonora, imprescindíveis em filmes do tipo), em que praticamente toda cena você vai dar um pulo na poltrona. E isso é muito divertido, ainda mais numa sala cheia de adultos que juram de pé junto que não têm medo de nada – esses mesmos adultos que gritam quando essas cenas chegam ao clímax.

A propósito, acredito que ver no cinema é ainda melhor, porque a experiência da tensão é compartilhada com as 100, 200 pessoas que estão ali dentro; todos estão na mesma vibração, esperando aquele espírito aparecer e a protagonista soltar aquele grito. Isso me faz perceber que nem é tão ruim assim ver filme comercial de vez em quando.

Quem não queria ter uma dessas no quarto?
Quem não queria ter uma dessas no quarto?

Em alguns momentos senti um clima parecido com O Bebê de Rosemary, entre tantos outros filmes similares. Não que a história seja parecida, mas por alguns elementos de filmagem, objetos (o carrinho de bebê) e também pela caracterização dos personagens (a mãe do bebê cuja alma precisa ser oferecida aos espíritos malignos que impregnaram em Annabelle). Além disso, o filme é cheio de referências ao gênero e abusa de todos os recursos do terror, como os enquadramentos; o elevador que insiste em não fechar e subir ao maldito andar que o personagem precisa ir – a melhor cena; quedas de energia; chuva, raios e trovões; padres exorcistas; a mocinha que cai no chão e não consegue levantar; a pipoca que estoura sozinha e faz a casa se incendiar; cadeiras de balanço rangendo sozinhas; criaturas e personagens saindo do escuro, do meio do nada, enquanto um barulho lancinante estoura seus tímpanos; close-ups em bonecas e objetos assustadores e tantas outras coisas que a gente conhece tão bem, mas que sempre assustam na hora em que estamos assistindo e, principalmente, na hora de dormir.

Interessante reparar em como a boneca se transforma: no começo do filme ela está branca, intacta; no final, ela está preta e suas feições completamente diferentes. Preciso confessar que, sim, fiquei apreensivo e com medo. Sorte que não tem boneca no meu quarto… mas anos atrás minha irmã tinha uma Kelly Key horripilante de 1 metro e 20 em casa (e ela vivia caindo “sozinha”).

Com amor, GKPB. <3

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MasterChef Brasil estreia com Ibope baixo, qualidade alta e pitadas de emoção a gosto

Por: Matheus Ferreira

Ontem foi ao ar pela Rede Bandeirantes de Televisão o primeiro episódio do MasterChef Brasil. A versão tupiniquim do reality show de aspirantes a Chef de cozinha que já rodou o mundo todo. Se minhas expectativas já eram grandes antes do lançamento, vou apenas me limitar a dizer que elas foram não só atendidas; mas superadas pela surpreendente qualidade da atração.

Eliminatórias e Participantes

O programa já começou mostrando a que veio. Na própria seleção dos participantes os Chefs não deixaram barato e abusaram de um humor que beira o negro, brincando com as situações e os pratos dos candidatos.

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De 300, restaram 50. Desses 50 muitos não passaram nem da primeira prova como participantes do programa.

O destaque foi, sem dúvida, para o maluco natureba e instrutor de Yoga, que deu um show à parte. Levou um prato pronto, fez um suco em frente aos jurados e disse que se por acaso recebesse um pedaço de Boi, enterraria e acendia uma vela pra ele. Sério, eu não tô brincando.

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Cadê a Ana Paula?

Se eu pudesse escalar quem mais apareceu em cena durante o programa, certamente teria muito participante à frente da apresentadora.

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Ana Paula Padrão mostrou seu lado mais descontraído fora das bancadas, mas faltou tempo em cena e até um pouco de interação com os jurados e participantes, para que pudesse ser melhor recebida pelos telespectadores.

Emoção

A emoção foi realmente o ingrediente chave do programa. Se por um lado Ana Paula Padrão foi apenas coadjuvante da história; os jurados souberam conduzir de forma espetacular e carregar na emoção sem forçar a barra ou parecer armação.

Fiquei com fome, com dó, com raiva, ri, chorei, me identifiquei, e até me indignei. Tudo o que fosse possível sentir. Em questão de segundos e em um loop sem fim.

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Nesse quesito os destaques vão para a amapaense que me emocionou desde a eliminatória com sua determinação em ser uma extensão do seu povo na busca de maior reconhecimento e da atriz maluca que chegou esculachando a produção e todos os jurados, foi bem no fogão, e saiu de cena com uma lição de moral que teve direito até à uma conversinha com a mamãe.

Duração, Ibope e Anunciantes

Foram 1h30 de programa. A qual eu fiquei vidrado cada segundo com uma empolgação poucas vezes vista diante da TV nos últimos anos.

Infelizmente a minha empolgação não parece ter sido a mesma que dos demais telespectadores de SP. O ~Ibope~ registrou audiência média de 3,8 com 5,6 de pico. Apenas 0,6 acima dos 3,2 alcançados com o Agora é tarde há duas semanas e bem abaixo dos pesados 13 pontos da Globo.

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Além do mais as exposições de anunciantes foram sutis e senti que até sobrou espaço para eles. De merchandising só vi o Carrefour e nos dois breaks que me recordo, apenas a Cacau Show ficou na minha cabeça.

Só não consegui entender se foi proposital ou faltou quem quisesse apostar em algo novo.

Visão Geral

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Que o MasterChef Brasil é um excelente programa não tenho dúvidas. O programa ainda tem por onde melhorar. Tanto pra Band, quanto para os anunciantes e meros telespectadores como eu ou você.

Mesmo assim ele se saiu perfeitamente bem em praticamente todos os quesitos que eu considero pra desligar meu notebook e deitar na frente da TV com a única e exclusiva intenção de prestar atenção. E olha que isso é um momento extremamente raro nos meus dias.

Com amor, GKPB. <3

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A surpreendente delicadeza de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”

Por: Colaboradores

Antes de ler: se você não viu o curta, vai se deparar com alguns detalhes que pode considerar como spoilers.

“Forelsket” é uma palavra dinamarquesa que entra num grupo de palavras intraduzíveis, mais ou menos como “saudade”. É daquelas que a gente tem que explicar o significado através de um contexto. Pra entender o significado de “forelsket”, que é usada pra caracterizar o início do amor, aquele frio na barriga, o coração disparado, basta assistir a Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. O filme, muito sensível, é um desenvolvimento mais complexo do celebrado curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de 2010, que fez bastante sucesso na internet.

A gente acompanha a história de Leonardo, um garoto cego que tem de lidar com o bullying na escola (por precisar de ajuda pra realizar algumas tarefas do dia a dia), a pressão para beijar logo uma garota e “tirar isso do caminho”, como um personagem diz em dado momento, além de estar cada vez mais aborrecido com a pressão e a superproteção dos pais – sobretudo da mãe –, que querem saber de cada passo do filho. Ou seja, Leonardo é o típico adolescente passando pelos conflitos típicos da adolescência. Como se não bastasse, a chegada do novo aluno na classe, que coincidentemente senta atrás dele, faz com que Leonardo tenha que enfrentar a descoberta do amor e de sua homossexualidade. É fácil para que qualquer um se identifique, tenhamos nós 15, 20, 30 anos. Porque são processos naturais (e penosos, diga-se de passagem) da vida. Até o mais popular dos alunos já passou por constrangimento uma vez na vida. O mais desiludido dos adolescentes já se deparou com uma paixão. O mais excluído dos alunos já tentou encontrar e encontrou sua turma. O mais feliz já ficou puto da vida e bebeu pra esquecer a tristeza. Ninguém é imune à vida. Você vai se encontrar em algum personagem.

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No que diz respeito à descoberta de Leo, o filme não poderia ser mais sincero e sensível, tanto no sentimento quanto em aspectos visuais. A abordagem é delicada e o ritmo do filme é exatamente como o ritmo de alguém que se apaixona: começa devagar, vai com calma, flerta, até que tudo explode e não dá mais pra segurar. Isso me fez lembrar da música “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, que fala pra gente não se afobar, que nada é pra já. O filme, e Leonardo, e Gabriel (o garoto novo), não se afobam; eles têm paciência, porque sabem que uma hora vão se ajeitar. Enquanto não podem, desenvolvem pequenos gestos que indicam o que querem um com o outro. Obviamente, nem tudo são flores, ainda mais por se tratar de um garoto que se apaixona por outro garoto. Eles precisam esconder o que sentem, porque os colegas de classe, os pais e a sociedade não aceitam. E ao dizer que a abordagem é sincera, é preciso dizer também que não é apenas em relação aos sentimentos dos dois apaixonados, é sincera quando mostra que se deixam as amizades de lado, cada vez mais e sem perceber; é sincera quando mostra a revolta de um adolescente para se soltar das amarras que os pais impõem; é sincera quando mostra a tentativa de negação de um sentimento e o processo de amadurecimento (bem como o comportamento dos adolescentes e, mais especificamente, seu modo de falar) tal qual eles são.

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é repleto de detalhes – algumas vezes elípticos – que “entregam” o que vai acontecer de forma elegante, ainda que muitos possam falar que os artifícios são manjados. Detalhes como uma música (que bonito quando toca Cícero e quando toca Belle and Sebastian!), uma blusa esquecida no encosto da cadeira, as costas enquanto a água do chuveiro escorre e a gente vê num super close, o aprendizado trocado entre os dois ou, ainda, o close na boca de Gabriel explicando a Leonardo segundo a segundo de um filme numa sessão que os dois resolveram pegar depois da escola. É um filme puro, mais sutil do que evidente, que faz a gente ver que não se escolhe a quem vamos amar, quando vamos amar, porque vamos amar (e precisa ter por quê?). A gente percebe que se apaixonar é a melhor coisa do mundo.

Com amor, GKPB. <3

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Bling Ring: quando a futilidade vira filosofia de vida

Por: Colaboradores

Como um dos poucos admiradores de Sofia Coppola, fui ao cinema no último sábado assistir seu novo filme, Bling Ring, que conta como um grupo de jovens roubava as mansões das celebridades norte-americanas como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Antes de falar do filme, preciso comentar sobre a sessão em si. Cheia de adolescentes da era Harry Potter (tudo bem, eu sou dessa época), que com certeza só estavam lá por causa da Emma Watson, a sala estava um inferno. Já que citamos a não-mais-eterna Hermione, vale dizer que ela está tão bonita, mas tão bonita, tão bonita, que deveria ter aparecido ainda mais. Voltando: não houve sequer um momento em que apenas os atores falavam. Um rapaz atrás de mim chegou ao extremo de atender o telefone, com seus pés devidamente apoiados na poltrona da frente, e começar a conversar muito alto, como se estivesse em casa. Paciente que sou, virei e pedi para que ele atendesse a ligação fora da sala. Foi o que ele fez. E não voltou depois disso. Essas pessoas na sessão também me fizeram temer a recepção do filme, porque seria natural que acontecesse o mesmo que se passou com Spring Breakers (resumindo: todos foram assistir por causa da Selena Gomez/Vanessa Hudgens e saíram decepcionadíssimos porque não é um filme fofo). Mas como muitos deles estão preocupados com o número de seguidores que têm no Instagram e nada mais que isso, vai haver uma identificação. Uma garota ao meu lado, por exemplo, começou a explicar quem era Karl Lagerfeld e sei lá quem mais numa determinada cena.

Esse comportamento é, mais ou menos, o comportamento da tal “gangue de Hollywood”. Não, eles não conversavam em sessões de cinema. Digo isso no sentido de que eles eram pessoas que não se preocupavam com nada. Da mesma forma que o garoto da sessão não se preocupou em respeitar quem estava interessado, o grupo não se importava em respeitar o que não lhes pertencia, a privacidade, os bens do outro. Ainda se fossem seguidores de Robin Hood, teríamos lá os motivos para defendê-los. Mas a gangue rouba de ricos para ricos – no caso, eles mesmos. É possível perceber de forma clara que eles não roubam com o clássico pensamento de “se ele tem tanto, porque eu não posso ter também?”. A necessidade de cada membro da Bling Ring é fazer ainda mais parte do círculo de pessoas famosas e influentes. Não é tirar jóias, roupas e sapatos da mansão da insuportável Paris Hilton para ter o que vestir. É roubar para ser Paris Hilton. Ou Lindsay Lohan. Ou Orlando Bloom. Até mesmo porque eles já são bem nascidos. Eles fazem parte desse grupo social que é tão importante para eles. Mas eles querem ser mais… eles querem ser o círculo.

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O pessoalzinho é “too cool for school”. Como ato de transgressão, eles se drogam, se vestem de maneira diferente, descobrem os endereços dos tais famosos e invadem as casas enquanto eles estão fora. Já que falamos da “geração ostentação”, é natural vê-los se vangloriando das novas aquisições (numa dessas, quase o cachorrinho da Paris Hilton é levado junto), tirando fotos e mais fotos em baladas de seu novo Louboutin, seu novo casaco Chanel ou sua nova bolsa Louis Vuitton. Depois, é claro, postam tudo no Facebook. Com o passar do tempo, eles ficam cada vez mais famosos e conseguem, com sucesso, o que querem. Eles se tornam, por fim, os influenciadores do círculo que frequentam. O clichê faz valer no caso da Bling Ring: essa (grande) parcela da nova geração, que já não está tão nova assim, não tem uma essência ou ideologia razoáveis, que vai realmente ajudar a eles mesmos e aos outros também. Eles são mesquinhos e se merecem, “gangue” e celebridades. O mundo deles se limita a saber onde o artista X vai estar, se o Y vai marcar presença num evento pseudo-importante, se o Z tem relógios Rolex que podem ser facilmente roubados.

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Sofia Coppola sabe do que se passa em Hollywood por estar inserida nesse meio desde que nasceu. Ela entende essa obsessão inexplicável e o culto às celebridades e à vida alheia. Como sempre, ela não julga ninguém. Ela observa e nos mostra. Não consegui encontrar o intimismo comum nos filmes dela (Um Lugar Qualquer, por exemplo, mostra isso muito bem), aquele toque que faz a gente pensar “esse filme é da Sofia”. Bling Ring até tem as pinceladas que tanto caracterizam a diretora, mas senti que visualmente poderia ser mais autoral. A não ser por um take bem distinto que, por distração minha, me foi apontado por um amigo (se ele não falasse, eu não teria feito a ligação), em que dois personagens invadem uma casa e a câmera está muito distante, mostrando a casa inteira e vai se aproximando muito, mas muito devagar, até que outra cena entre. Ali, sim, eu percebi que era um filme dela. De resto, não muito. Talvez porque o tema seja mais agressivo do que a monotonia de um ator que não sabe o que fazer em seu constante ócio (o que acontece, mais uma vez, em Um Lugar Qualquer).

E aí a gente pensa: até que ponto podemos julgar o vazio desprezível da vida deles (e de tantos outros que consentem)? Qual a raiz desse pensamento, desse culto, dessa vida? Eles não são rebeldes, não chegam aos pés de quem realmente “causa” na alta sociedade. São, no máximo, dissimulados. Se Sofia não se compromete em mostrar os podres que são encontrados mais a fundo nesse meio (que ela não pode negar, pois a promove), nós mesmos precisamos nos colocar como juízes, já que não dá pra ir até lá e mostrar a cada um deles que existem problemas talvez um pouco mais importantes do que a grife que eles vão mostrar para os outros no nightclub hoje à noite.

Com amor, GKPB. <3

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A velha história da forma versus conteúdo em Only God Forgives

Por: Colaboradores

Um desafio a quem assistir Only God Forgives: não ficar comparando com Drive (do mesmo diretor e também com Ryan Gosling no elenco) a todo momento. Em Drive, Ryan Gosling é um protagonista à parte do mundo, uma peça aparentemente solta, jogada na cidade. Por esse motivo, ele é calado, não fala muito por ter dificuldades de se relacionar. Guarda um mundo de sentimentos por baixo da cara fechada. Falo bastante desse personagem porque em Only God Forgives assistimos à mesma situação no que diz respeito a Ryan – o que seria normal, se ele não fosse um traficante de drogas nada misericordioso metido no submundo do crime tailandês. Estranho um dealer ser tão quieto e inexpressivo a ponto de irritar quem vê tudo aquilo. A gente, no caso. É difícil não associar Drive a Only God Forgives, justamente por ter sido feito pelo mesmo diretor, com o mesmo ator (que aqui não é o protagonista) e que mostra alguns pontos em comum, como a quase batida dificuldade de se comunicar e criar laços afetivos. Sobre esses laços afetivos, diga-se de passagem, o destaque é para a relação entre Gosling e sua mãe, uma típica “biscate”.

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O filme é um grande exemplo de forma sem (muito) conteúdo. Eu pensei bastante a respeito do filme e venho pensando desde que assisti, dois dias atrás, e é fácil ver que a forma (ou seja, o visual) se sobrepõe à história, ainda que a qualidade do que literalmente vemos seja inquestionável. É tudo de um grande rigor técnico. De cair o queixo. O clima remonta, em muitos momentos, ao universo de David Lynch, por parecer que estamos imersos num sonho onde não é muito clara a definição de realidade, sonho, pesadelo, devaneio ou puro delírio. As cores, os takes, os ângulos e movimentos de câmera e as expressões reforçam ainda mais essa sensação de “is this real life?”. E isso é muito bom, porque faz de Only God Forgives uma experiência, além de cinematográfica, bem sensorial. Prepare-se para cores fortes e marcantes: um ambiente imerso num vermelho de arder os olhos; um amarelo de nos deixar ouriçados; um azul que tenta apaziguar. É um filme visualmente limpo, que de certa forma se desliga de sua temática, mas não de sua morbidez.

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A história, que eu não vou perder tempo contando, fala sobre vingança. E, como em todo filme de vingança, há muitas mortes, sangue, tramas que confundem devido aos níveis hierárquicos quase incompreensíveis que o crime possui  tudo aquilo que a gente já sabe. A diferença, aqui, é a forma como tudo é mostrado. O filme é silencioso, estático e “solto” e alguns detalhes da história não são mostrados, o que não seria um grande problema, mas que deixa o filme elíptico demais; tudo bem algumas pontas ficarem soltas, mas chegamos a sentir falta de passagens mais concretas e explícitas e de uma maior versatilidade na atuação de Gosling (que, como eu disse, não é o protagonista, mas é destaque o filme inteiro). É comum estarmos imersos numa cena e, de repente, nos depararmos com um corte que leva a um novo contexto. É isso que quero dizer quando afirmo que o filme é solto – o fio condutor, em alguns momentos, parece ser um fiapo prestes a se romper.

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A cada minuto que passa, temos a sensação de que o que se vê no filme é mais importante do que aquilo que se absorve e se entende. Não se aflijam: dá pra entender, mas o filme poderia entregar mais coisas. Não é envolvente e não tem força narrativa; é frio como os criminosos que jogam uma panela de óleo quente no rosto do inimigo como se fosse água. Como é um filme que se passa na Tailândia e que fala de vingança e redenção, já sentamos em frente à tela – do computador, no meu caso, já que não tenho paciência pra novela da distribuição nos cinemas brasileiros – esperando algo mais denso do que realmente nos é apresentado. Para os olhos, é um prato cheio.

 

 

Com amor, GKPB. <3

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Oh, God Bless America

Por: Colaboradores

God Bless America, um filme de Bod Goldthwait de 2011 e um dos poucos que dizem tanto sobre os Estados Unidos. Sem o eufemismo e a super valorização do povo e de sua cultura, é uma crítica pesada aos costumes e cotidiano de seu povo.

Uma tipica comédia de humor negro e sátiras por todo lado. Claro e objetivo sem muitos rodeios, Bod Goldthwait consegue envolver e entreter o telespectador com um argumento um tanto delicado que guiará para um discurso “que merda estamos fazendo com nós mesmos?!”.

Chegamos até a nos identificar por diversas vezes com a dupla (Frank e Roxy) através de diversas quadros que se passam, deixando totalmente de lado o senso ético e dando espaço a uma moral até então adormecida. Esquecemos do politicamente correto e nos deixamos levar, chegando até a torcer pelo massacre que está por vir, porque no fundo concordamos com seus bem estruturados argumentos. Afinal, quem nunca teve vontade de agir por conta própria e acabar com pessoas desagradáveis?

Somos, infelizmente, nada mais, nada menos que uma réplica da sociedade moderna, manipulado pelos seus ideais de cultura e sociedade, guiados principalmente pelo meio de massa, TV. Sim, a TV é muito mais que um bloco a cores que transmite entretenimento. É um meio de nos transformar em meros consumidores baratos.

O filme é muito bem empenhado em seu papel de dizer: “Para tudo e reparem um pouco em volta, tomem as rédias de suas atitudes e percebam no que estamos no tornando”. Longe de uma historinha de romance casual ou uma super produção hollywoodiana, God Bless America me lembra muito a ideologia trazida nos filmes de Godard. Claro, que longe do cenário de background francês e sem a maestreza do mesmo, mas adaptado a um cenário americano moderno. É um filme que está além do seu papel fílmico de entretenimento, passando uma mensagem um tanto rica para uma sociedade que parece que deixou lado seus próprios ideais.

Enfim, é um humor cético, porém real. Recomendo a todas as classes, gêneros e idades.

 

Com amor, GKPB. <3

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