Here’s to Never Growing Up: Avril Lavigne sendo Avril Lavigne

Por: Colaboradores

Avril Lavigne está de volta. Depois de algum tempo sem divulgar novos trabalhos, a cantora anunciou um novo álbum há pouco tempo, além de ter lançado “Here’s to Never Growing Up” (numa tradução livre: “Um brinde para nunca crescermos”), o single que por enquanto será o carro-chefe de sua nova empreitada musical.

A cantora esteve muito ligada desde sempre com o universo teen, esteja esse universo representado em forma de rebeldia, uma vez que Let Go, seu primeiro álbum, tinha um tom contestador, que procurava dialogar com os jovens que se sentiam incompreendidos, o que é típico nessa fase da vida, e as músicas eram basicamente gritadas e tudo fluía harmoniosamente junto com a própria postura de Avril; ou em forma mais existencial, como em seu segundo álbum (Under My Skin), com letras em tom mais intimista, que tentavam desvendar questões interiores, aspecto também recorrente na fase da adolescência; ou como em seu terceiro álbum, em que Avril arriscou e para alguns deslizou ao apresentar, sobretudo visualmente, um clima mais “patricinha”, onde o preto, o soturno e o rebelde saíram de cena e deram lugar ao rosa, às estrelinhas, ao brilho e ao ar de “sou uma princesa”. Já seu quarto álbum, “Goodbye Lullaby”, é uma junção, talvez mais aprimorada, de tudo que ela apresentou nos três álbuns anteriores. Se antes Avril era vista como ícone da geração incompreendida, agora passou a ser vista (talvez somente para quem não era realmente fã e acompanhava sua carreira superficialmente) como uma garotinha inocente e angelical, num sentido negativo. Esse histórico firmou Avril Lavigne como uma cantora que faz músicas para nichos específicos – adolescentes em fase de definição da própria identidade ou os fãs que a acompanham desde sempre e que hoje já são adultos, mas apreciam seu trabalho da mesma forma com que apreciavam antes.

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Seu novo single pode ser facilmente interpretado como uma justificativa tanto da própria cantora quanto de seus fãs, no sentido de mostrar que ambos nunca crescerão e seus espíritos permanecerão para sempre jovens. Digo que serve como justificativa da própria Avril porque ela é, inevitavelmente, visto como uma forever young, assim como Sandy – temos a impressão de que elas serão sempre assim, sempre envoltas nessa aura juvenil, o que não deve ser visto como um ponto negativo. Às vezes, é tudo uma questão de “posicionamento”. Digo que também pode ser uma justificativa para os fãs que desde sempre gostam da cantora e suas músicas porque estes são frequentemente julgados por, mesmo depois de adultos, escutarem músicas que dizem coisas imaturas como “Quando você se vai, os pedaços do meu coração sentem sua falta” ou “E é por isso que eu sorrio/Tem um tempo desde que todos os dias e todas as coisas parecem tão certas”.

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“Here’s to Never Growing Up”, como o título explica, celebra a condição de Avril e seus seguidores: eles nunca crescerão e não ligam pra quem critica essa atitude (vide versos como “Eu não acho que vamos mudar”, “Podemos ficar jovens para sempre” e “Eles dizem ‘apenas cresçam’, mas eles não nos conhecem”). A vida é uma grande comemoração e devemos nos preocupar apenas com nós mesmos. Legal é chamar os amigos, fazer uma festa, ficar bêbado e curtir a vida, afinal de contas o sofrimento não vale a pena. No videoclipe dessa mesma música, onde todas essas ideias são expostas ainda mais explicitamente, um fato curioso salta aos olhos e confirma a teoria de que todos continuarão sempre os mesmos: Avril aparece, já pela metade do vídeo, caracterizada como em seu primeiro álbum: gravata, cabelos esticados, em cima de um skate. Usei o termo “caracterizada” porque o estilo skater não é mais seu estilo de se vestir há tempos e, embora ela continue a mesma, alguns fatos inerentes à vida da maioria das pessoas também a atingiram e o maior exemplo disso é seu casamento (que já acabou faz tempo). Ela aparece dessa forma para transmitir uma mensagem importante: a essência das pessoas não muda. Nunca vai mudar. Podemos até tentar, mas hora ou outra o verdadeiro eu se revela (ou volta à tona) e é impossível negar ou esconder. Continuar cantando os mesmos “dilemas” ou “filosofias” não significa que, no seu interior, ela não tenha amadurecido. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

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Muitos podem pensar que tudo isso não passa de uma legítima Síndrome de Peter Pan. Talvez até seja, mas de que vale a vida se não nos comportarmos despretensiosamente de vez em quando? E, aos que criticam, vale o verso citado no parágrafo anterior: vocês não os conhecem, não adianta pedir para que eles cresçam. Eles não querem (e talvez não devam mesmo).

Com amor, GKPB. <3

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