Revivals de 2013: Daft Punk

Por: Colaboradores

Todos já sabem da novidade não-tão-nova-assim e já esperavam, cheios de ansiedade, o lançamento de Random Access Memories, novo álbum do duo francês Daft Punk, composto por Thomas Bangalter e o cara com o nome mais legal que eu já vi: Guy-Manuel de Homem-Christo.

Com esse post, eu pretendo fazer um panorama geral sobre o álbum de acordo com minhas rápidas impressões (alô, falta de tempo!) e, principalmente, como admirador de Daft Punk. Isso não significa que eu estude a fundo o modo dos caras fazerem música. Não, eu apenas aperto o play e curto.

Random Access Memories causa, sim, estranheza. Mesmo em quem conheça duas ou três músicas dos outros trabalhos do Daft Punk. Eu fui todo esperançoso baixar o CD e esperava outra coisa… não que isso signifique que eu me desapontei ou tive minhas expectativas não correspondidas. Assim como qualquer álbum, de qualquer artista, a gente precisa ouvir uma, duas, três vezes, voltar o trecho de uma música, pular para o fim, voltar ao começo e assim por diante. Foi o que eu fiz com RAM. E foi assim que eu comecei a perceber suas sutilezas, seus detalhes e, talvez, sua intenção.

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Falando de forma geral, o álbum presta uma grande homenagem ao groove dos anos 70 – ou até mesmo aos anos 70 em si, já que apresenta tanto músicas dançantes quanto baladas. No meio dessa “salada organizada” feita pelo Daft Punk e os colaboradores do álbum, que vão desde Pharrell Williams até Julian Casablancas, soma-se também as viagens alucinógenas que são sustentadas principalmente pela levada (olha o groove aí) e pela duração das músicas. Eu, pelo menos, penso assim: quanto maior a música, mais a sua imaginação flui enquanto está ouvindo. Sem contar a viagem que deve ter sido o processo de produção e composição. Uma coisa engraçada que aconteceu foi meu pai virar pra mim e falar “Olha o Guilherme ouvindo Billy Paul!”. Claro que ele sabia que não era Billy Paul, mas vejam só, Billy Paul ficou famoso quando? Na década de 70. O que ele cantava? Soul, funk e eletrônico com pitadas psicodélicas. Acho que eles conseguiram alguma coisa, né?

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Teasers, trechos de músicas e divulgação das parcerias do álbum em forma de mini-documentário serviram para que o alvoroço em torno de Random Access Memories fosse ainda maior. RAM não é um álbum pra ser ouvido com pressa. Tem 74 minutos e algumas músicas têm 8, 9 minutos de duração. São músicas pra você curtir e apreciar de forma que compense a demora do Daft Punk para apresentar algo novo. Embora essa história de resgatar um estilo pareça muito promissora, o álbum peca nas baladas, o que me fez “entender” o disco como uma coisa não muito linear. Talvez esse seja o ponto fraco do disco, mas não porque as músicas são ruins, e sim porque as músicas mais famosas do duo são as agitadas (Technologic, Around the World, One More Time, Robot Rock e por aí vai). Li uma crítica no Tenho Mais Discos Que Amigos dizendo que essas músicas soam meio bregas. Concordo.

Se analisarmos o “lado Daft Punk” do disco, percebemos mudanças bem visíveis em relação aos trabalhos anteriores. As batidas eletrônicas e distorções exageradas deram espaço para instrumentos reais (conseguimos ouvir uma bateria de verdade!) e uma sonoridade mais sóbria, ainda que os aparatos tecnológicos continuem lá, presentes e fazendo bonito. Portanto, não precisa se descabelar… é Daft Punk com cara de Daft Punk. Só é menos pirotécnico.

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Minha favorita, sem dúvida, é Giorgio by Moroder. Quando eu ouvi pela primeira vez, ela começou a tocar e eu já senti que seria a mais legal pra mim. É a mais longa – tem 9 minutos – e a mais empolgante. Outras que fazem a gente levantar da cadeira e querer dançar fazendo coreografia tosca são Give Life Back to Music, Get Lucky (chiclete que já pegou todo mundo de jeito e até ganhou cover feito por gente famosa, como o CSS) e Lose Yourself to Dance.

Ouça também:

“Human After All” (Daft Punk)

“Cross” e “Audio, Video, Disco” (Justice)

E, se você quer algo mais roots da música eletrônica, “Electric Cafe” (Kraftwerk)

 

Com amor, GKPB. <3

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