Cocielo posa ao lado de displays da Avianca e Asus, duas marcas que já fizeram parceria com ele.

Se por algum motivo você ainda não viu a polêmica envolvendo o criador de conteúdo Cocielo, aqui vai o resumo do resumo: ele publicou um tuíte a respeito do jogador francês Mbappé onde dizia o seguinte: “mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein [sic]“.

O tuíte foi visto como preconceituoso por muita gente e o resultado foi uma avalanche negativa para a carreira do artista, que acabou tendo sua imagem manchada e até perdendo o patrocínio de grandes companhias, como Itaú e Submarino. Cocielo é mais um peão num imenso jogo de Xadrez, que finalmente começa a virar. Mas o que aconteceu com ele escancarou outro fato: as agências brasileiras são completamente incompetentes. E eu explico a minha colocação.

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Cocielo não foi a primeira celebridade a ser massacrada nas redes sociais por reproduzir pensamentos retrógrados e também não será a última. Isso já aconteceu com uma enorme quantidade de pessoas. Vocês lembram do caso do Biel? Que teve que sair do Brasil porque não conseguia mais nem sair às ruas aqui? Então. A gente sabe que isso acontece. E que, infelizmente, vai continuar acontecendo por um bom tempo.

Se a gente sabe disso, as agências, enquanto defensoras de marcas gigantescas como Itaú, Submarino ou a Coca-Cola têm a obrigação de investigar todo o passado digital deles. Porque eles podem perder alguns milhares de reais em patrocínio e ir ao ostracismo. E isso não está nos nosso controle. Mas se a agência não pode controlar um ser humano passível de erros, pode e deve pelo menos evitar os problemas da marca a qual foi contratada para cuidar.

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Para fazer isso existem inúmeras ferramentas. Já tem algum tempo eu fui apresentado à Pegada Digital, uma plataforma que visa investigar todo o passado dos criadores e checa se há algum possível problema ideológico que possa danificar uma marca. Eu imagino que, assim como a Pegada Digital, devem existir inúmeras outras ferramentas semelhantes. Mas as agências não usam. E não é porque são caras. Os budgets das companhias citadas acima são imensos. Uma ferramenta com essa tem um impacto mínimo.

Mas por que não usam? Porque o publicitário tem mania de achar que sabe mais que os outros. De ir pelo caminho mais fácil e mais rápido. De achar que não pode se curvar ao “mimimi” da sociedade. (Eu já ouvi isso numa mesa de reunião). Mas o problema é que enquanto ele parte deste princípio, a marca sangra. Até se tocarem de que não tem como lutar contra o seu próprio consumidor, muitas vezes é tarde.

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O público quer se sentir representado, não oprimido. Porque o consumidor moderno e conectado sabe que seu dinheiro importa. E vão sempre optar por marcas que entenderam isso. E em meio a um mundo com inúmeras novas marcas nascendo a cada segundo, qualquer deslize pode ser fatal.

Com amor, GKPB <3

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