Não tem nem 3 anos que nós falamos aqui sobre o último rebranding da Uber, que tinha como objetivo representar toda a mudança e a globalização do app que revolucionou a mobilidade urbana das grandes cidades ao redor do mundo. Mas agora a companhia já está com um novo logo e nova identidade visual.

A nova marca assume um visual mais fino e deixa de lado as letras em caixa alta, para assumir um “U” minúsculo em destaque que eu achei pra lá de estranho. Além disso, a marca, que antes apostava em padrões que representavam diferentes culturas, agora aposta na simplicidade e a universalização com ícones e cores mais sóbrios. Veja:

Se observarmos o mercado como um todo, ainda que meu bom senso diga que é muito cedo para uma reformulação completa em pouco mais de dois anos, faz algum sentido para a companhia apresentar uma nova marca. A Uber de 2016 estava crescendo e sendo reconhecido ao redor do planeta. Em meio a brigas com taxistas e políticos completamente atrasados. A Uber de 2018 é uma realidade consolidada. Um sinônimo de categoria de serviço e enfrenta outro problema: a concorrência.

Somente aqui no Brasil, a Cabify e a 99, dois de seus maiores concorrentes, já refizeram seus apps e mudaram suas identidades visuais algumas vezes desde que decidiram acompanhar o pioneirismo da Uber. O 99, por exemplo, acabou de receber um redesign e está ainda mais bonito e funcional.

O que não mudou de 2016 para cá, no entanto, foi a quantidade de informação na apresentação da nova identidade visual. A Uber criou um hotsite enorme para explicar o conceito de sua nova marca. Logo, composição, tipografia, iconografia, cores, movimentos, fotografia, ilustração e até mesmo tons de voz entraram para a lista de itens completamente reformulados pela empresa.

Sério, eu me interesso por design e adoro acompanhar os processos criativos e desenvolvimentos de novas identidades visuais, mas a Uber colocou tanta coisa, que eu me senti até meio perdido em meio a tanta informação. Por isso, vou tentar fazer um resumo abaixo de alguns dos itens mais importantes.

Novo Logo e Nova Tipografia

O novo logo da Uber deixa de lado todo o simbolismo adotados a partir de 2016 e foca no que realmente importa: a tipografia. Esqueça aquelas formas geométricas adotadas até então que não representavam muita coisa. A nova marca aposta única e exclusivamente no texto. Mas não um texto qualquer, a Uber agora conta com uma tipografia própria, que foi inspirada nos letreiros de metrôs, pontos de ônibus e aeroportos. Sem serifas, sem um corpo muito pesado. Uma fonte clara e simples.

A grande mudança ficou então no “U”. Isso porque a equipe responsável pelo redesign achou que a melhor forma de trazer de volta o destaque à letra seria acrescentando uma perna no “U” maiúsculo, basicamente como a gente encontra na versão em caixa baixa da letra. (Essa: “u”).

O problema é que esse recurso causa estranheza, pois transmite uma sensação de desproporcionalidade em relação às demais letras. O que é reforçado pelo fato de nenhuma outra letra maiúscula utilizar de algum artifício para ganhar destaque. Eu imagino que a gente deva se acostumar com o tempo, mas no primeiro impacto é pra lá de estranho.

De acordo com a Uber, o redesign do logo focou em três necessidades encontradas diante das demandas do público:

  1. Reconhecimento do preto como cor que representa o serviço
  2. Investir em uma marca e não em um símbolo
  3. Trazer o U de volta

Ícones e Cores

A Uber deve apostar em uma nova paleta de cores e um novo pacote de ícones. Os ícones chegam em duas versões: contornados e preenchidos. Casas, carros, telefones, aviões, passageiros, ciclistas… Há uma enorme quantidade de figuras pré-concebidas para dar apoio à nova identidade visual.

Enquanto isso, as cores do sistema deverão se limitar a preto, branco e o que eles chamaram de “azul de segurança”. Mas a identidade ainda prevê cores secundárias como verde, amarelo, vermelho, marrom, laranja e roxo. Estas cores deverão ser mais utilizadas nas ilustrações, do que efetivamente na UI dos sistemas.

Fotografia e Ilustrações

Para ilustrar suas campanhas, o Uber deverá focar bastante em imagens lúdicas, que evitam o interior do veículo, ou o trânsito e focam nos consumidores fazendo aquilo que gostam. Um dia na praia, assistindo Netflix, no parque com os amigos ou a família, num café. Quase que uma narrativa que tenta dizer o seguinte: a Uber me trouxe até aqui para que eu possa fazer o que eu gosto.

Já as ilustrações lembram bastante o conceito utilizado pelo Google de uns tempos para cá. Com formas simples, geométricas e muito contraste. De acordo com a própria companhia, a ideia das ilustrações é transmitir a mensagem de forma eficiente e fácil de entender.

Tom de voz

Eu não tenho ideia de quando foi que um manual de identidade se dedicou em abordar o tom de voz da marca diante do consumidor, mas a Uber se preocupou com isso. “Nosso tom de voz mostra nossa crença em colocar nossa audiência em primeiro lugar”, diz o texto no site da companhia. Ainda de acordo com a página, a abordagem com o consumidor se dará respeitando três regras básicas:

  1. Comunicação centrada na audiência
  2. Linguagem simples e fácil de entender
  3. Reconhecimento por meio de consistência

O que eu achei

Na minha opinião, alguém que gosta muito de design se envolveu com esse processo. São inúmeros os detalhes e o cuidado que a companhia teve mais uma vez para com a sua marca. Eu já admirava isso lá em 2016 e continuo admirando a importância e a relevância do design gráfico dentro da Uber.

A questão que fica é o quanto todo esse monte de conceito pode se traduzir em uma melhoria real da percepção de marca diante do público. Normalmente a gente percebe a qualidade de uma marca de acordo com o tanto que ela permanece sem mutações com o passar dos anos.

Perceba a Coca-Cola. Sua tipografia atravessa décadas, sua embalagem “contour” já completou 100 anos e continua sendo suficiente. Muitas mudanças de marca dificultam a percepção de solidez diante do público e geram uma série de inconsistências gráficas que se permeiam por anos em materiais físicos.

Quanto tempo até os carros trocarem seus adesivos e abandonarem a marca criada há pouco mais de 2 anos? – Divulgação/Prefeitura de Curitiba

 

Outro ponto negativo que já foi levantado outras duas vezes é o “U”. Eu realmente não consegui gostar dele. Eu adorei o foco na tipografia em caixa baixa e sem muitos enfeites; mas a sensação de estranheza com a principal letra da nova identidade ainda é um incômodo. Se isso vai continuar daqui 6 meses a um ano, eu não sei. Eu espero que não.

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Com amor, GKPB <3

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