A gestão de marca na pós-modernidade

Por: Matheus Ferreira

O atual cenário pós-moderno é um tanto paradoxal. A receita do sucesso é justamente não ter receita. A empresa pós-moderna é apenas mais uma vítima do atual modelo da sociedade, onde tudo é muito rápido e surpreendente. Essa estrutura não linear de administrar a imagem da marca pós-moderna vai no sentido contrário que se acreditava até pouco tempo atrás, onde os profissionais seguiam uma linha de investimento na marca, que por diversas vezes chegava a durar anos até conseguir reconhecimento mundial.

Coca-Cola, Mc Donald’s, Marlboro, IBM, ainda são marcas bem reconhecidas no mundo todo, mas essetop of mind divide espaço com outras marcas, mais recentes e modernas. Ou melhor, pós-modernas. Google, Microsoft, Apple já derrubaram grandes monstros do mercado das marcas e hoje fazem parte das mais valiosas do mundo, mas a mais recente delas, o Google, já tem mais de 15 anos e na cronologia pós-moderna, pode ser considerada “avó” das novas marcas que inundam o mercado mundial. Essas marcas têm concorrentes de peso, jovens e que possuem uma força incrível, como o Facebook, Foursquare, Groupon e um passarinho azul, que está mudando a maneira de se comunicar com o mundo, o Twitter.

Criado em 2006, para ser um sistema que misturava mensagens de status de mensageiros instantâneos com o sistema de recebimento de mensagens dos velhos BIPs, o site deslanchou no ano de 2009, quando foi adotado por famosos e veículos de comunicação do mundo todo. Ao contrário das outras marcas, esta ferramenta não tinha nome de fácil pronúncia, planejamento estratégico da identidade visual (nem mesmo do logo, que foi desenvolvido cerca de 4 anos após o lançamento do site). Enquanto as outras marcas se preocupavam com o nome, o serviço lançado apenas com consoantes “Twttr” só foi se preocupar com isso bem mais tarde, ao perceber a dificuldade que as pessoas tinham em pronunciar o nome do serviço, introduzindo as vogais que fariam o papel de conduzir o leitor à fonética desejada. Outra diferença da empresa é que o espaço físico era o menor dos problemas: o Twitter só veio ter um escritório oficial anos mais tarde, tendo em vista que todas as ferramentas que precisavam eram servidores e internet.

Uma das conclusões que se pode tirar das empresas da pós-modernidade é que elas são grandes laboratórios e estão sempre em total processo de mudança e adaptação, fato que é absolutamente justificável, levando em consideração o nível de efemeridade em que a sociedade pós-moderna apresenta e reflete dentro do próprio serviço. O limite de caracteres é de 140, um limite ótimo para que a mensagem seja consumida rapidamente, até pelos mais preguiçosos. Outro ponto que configura e reitera o caráter efêmero da marca é o número de mensagens enviadas no serviço. Estima-se que apenas uma pequena porcentagem dos denominados tweets são lidos, enquanto o resto das mensagens são praticamente ignoradas ou possuem visibilidade praticamente nula. Usuários finais são beta testers, que estão ao tempo todo sujeitos aos riscos de se fazer parte de um grande mercado experimental e que está constantemente em mutação.

Com amor, GKPB. <3

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Matheus Ferreira

Matheus Ferreira, 26. Publicitário e fundador do Geek Publicitário. Falo sobre Publicidade, TV, Design e Tecnologia.

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